Encontrando "Black Joy" no samba de roda -- Karla Fernandez


Nesta foto, meus amigos Amy, Lucas, Barbara, Derek e eu estamos com Besouro. Ficamos neste restaurante quase toda a noite dançando samba de roda com Besouro e sua banda. Iana Schramm foi a mulher que nós ensinou como dançar samba de roda nessa noite, mas ela não aparece na foto. Os instrumentos que a banda tocava eram tambores, mas acredito que o samba de roda também utiliza a capella e as palmas. Começamos a noite com todo o nosso grupo de alunos, mas no final apenas nós, que aparecemos na foto, ficamos por lá. Naquela noite me lembrei que qualquer lugar pode se transformar em um ambiente musical, e que nós podemos criar música mesmo sem instrumento. Perdemos a noção do tempo por causa do quanto estávamos nos divertindo dançando em grupo, e o fato de termos sido capazes de criar  música nós mesmos em nosso pequeno grupo de pessoas me lembrou do povo da Bahia que criou e preservou essa cultura por muitas gerações. Quando fomos à nossa palestra de percussão com Mario Pam, ele falou sobre as diferenças na forma como os colonizadores tratavam as pessoas escravizadas nos EUA e no Brasil. Ele mencionou que o tratamento dispensado às pessoas escravizadas era muito mais severo nos EUA e, como resultado, a comunidade negra nos EUA criou músicas como jazz e blues. Ele então nos contou como era comum a fuga de pessoas escravizadas no Brasil (como no caso das pessoas que formaram os quilombos) e, como resultado, os colonizadores estavam dispostos a ser mais tolerantes e deixá-los tocar sua música para garantir que menos pessoas fugissem. Então, isso criou uma música mais alegre como o samba de roda. Enquanto dançava com meus amigos naquela noite no restaurante em Lençóis, lembro-me de sentir o que chamamos nos EUA de Black joy, que é essencialmente o sentimento de alegria de resiliência negra sobre o qual Mario Pam estava falando durante sua palestra. Nunca tive uma experiência como essa nos EUA, por isso sou extremamente grata por essa linda lembrança que pude criar com meus amigos e o povo incrível da Bahia.


Comentários

  1. Olá Karla! Gostei muito da sua postagem. Tenho muitas saudades desse dia porque foi um dia inesquecível para mim. Eu acho que seus pensamentos sobre isso são muito interessantes e as conexões que você fez fazem sentido, considerando a história que aprendemos aqui e nos Estados Unidos sobre o tratamento de pessoas escravizadas.

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  2. Eu acho isso tão lindo. Você está certo, é incrível como a música pode ser adicionada a qualquer lugar. A música é um reflexo da experiência humana e é usada para compartilhar emoções de tristeza ou alegria.

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