Música: uma maneira para contar história


Essa semana, fomos para uma oficina de percussão com Mestre Mario Pam, um professor de música e um regente do Ilê Avê, um bloco afro aqui na Bahia. Lá, no estúdio de música dele no Garcia, o mestre apresentou sobre vários instrumentos musicais e falou sobre seu envolvimento na comunidade musical aqui em Salvador. 

Uma coisa que foi interessante para mim do discurso dele foi que ele disse para a turma que ele agora está fazendo um mestrado na educação musical com um foco na maneira que ele aprendeu e mesmo com ele ensina música: um foco no uso da oralidade para ensinar. Ele disse que isso é uma maneira de ensinar (e aprender) que historicamente tinha sido desvalorizado em comparação às maneiras de ensinar que enfocam na palavra escrita. 


Então, durante a aula, ele só deu instruções para nós com dicas verbais, mostrou práticas para nós numa demonstração de como tocar o instrumento, e depois, deixou nossa turma para tentar replicar o que ele apresentou. Por causa disso, tivemos a oportunidade de experienciar a maneira de ensinar sobre o que ele falou. 


Durante essa experiência, eu pensei como já falamos nas nossas aulas sobre a história de Salvador: aprendemos sobre comunidades quilombolas e vários heróis revolucionários baianos. Uma coisa que esses temas têm em comum é que muitas de estas figuras/comunidades foram apagadas ou ignoradas nos registros escritos. Por causa disso, muitas das histórias dessas comunidades ou figuras foram espalhadas pelas histórias escritas, mas continuavam nas histórias orais.

Ao mesmo tempo, hoje em dia, a palavra escrita está mais valorizada do que outras formas de aprender ou ensinar, e por causa disso, pode ser um desafio para comunidades que usam as oralidades para transmitir conhecimento para ganhar respeito para suas histórias. Por exemplo, aprendemos na palestra sobre racismo e saúde pública no Brasil que uma parte do processo para as comunidades quilombolas para ganhar reconhecimento legal é que antropólogos fazem pesquisa (que cria um registro escrito, e como consequência, um registro valorizado) nessas comunidades para verificar se classificam como verdadeiras comunidades quilombolas. Acho que isso representa que há ainda uma valorização forte da palavra escrita, mas não há a mesma valorização para o compartilhamento de conhecimentos orais.


Com tudo isso na mente, foi legal para aprender na oficina que 1) a oralidade é uma força importante não só no ensinar da história, mas nas artes como música também, e 2) para ter minha própria experiência interagindo com uma forma de ensinar que valoriza o compartilhamento de conhecimento oral.


Comentários

  1. James: Olá Bridget! Eu também gostei do workshop com Mestre Mario Pam e eu também fiquei impressionado que ele está fazendo um mestrado! Para mim o workshop foi bem difícil porque eu não sou uma pessoa muito musical mas ainda foi interessante ver como fazer música e agora estou mais impressionado com artistas e como eles fazem a sua arte. Gosto muito de como os artistas que eram apagados da história têm uma ressurgência agora.

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  2. Kira: Olá Bridget! Sua postagem foi muito interessante! Eu achei e foi muito legal como você conectou a palestra sobre racismo e saúde pública no Brasil para o que Mestre Mario Pam falei sobre o foco de ele para uso da oralidade para ensinar. É interessante ouvir que existe uma valorização forte da palavra escrita em muitos tópicos nossos que aprendemos sobre, mas não há a mesma valorização de conhecimentos orais. Bom trabalho fazendo isso grande conexão!

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