"Palabrarmas" e a realidade das mulheres no Brasil
No meu primeiro dia no Brasil, antes de chegar em Salvador, eu visitei uma exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo de Cecília Vicuña—a foto que eu escolhi para essa postagem vem dessa exposição.
Vicuña é uma artista chilena que usa sua arte para abordar tópicos políticos, especialmente tópicos relacionados a lutas feministas e democráticas. Nas obras dela na exposição, ela usa uma técnica que ela chama “palabrarmas” que junta arte e palavras para espalhar ideias políticas, especialmente como protesto contra governos antidemocráticos e violentos.
Um exemplo dessas “palabrarmas” (que pode ser visto na minha foto da postagem!) é uma frase que foi repetida em várias obras da exposição que eu vi: a mensagem “men tira” acompanhada com imagens de corpos femininos. Acho que com essas “palabrarmas,” Vicuña apresenta as consequências destrutivas (especialmente para as mulheres) das manipulações dos sistemas criados reproduzidos pelos homens.
Durante nossas aulas, eu aprendi sobre outras realidades das mulheres do Brasil as quais eu acho que são bem relacionadas ao tema que essa “palabrarma” apresentou. Por exemplo, durante nossa palestra sobre a violência contra mulheres no Brasil, a tenente-coronel Denice Santiago falou sobre como o feminicídio é um grande problema aqui, mas muitas vezes, incidentes de violência não são reportados e podem ser vistos como coisas sobre as quais as pessoas não devem falar. Por causa disso, é importante que todo mundo reconheça que esse tipo de violência é inaceitável, e para mudar essa cultura de violências, precisamos lidar com ela e falar sobre as verdades sobre essa violência—exatamente como a mensagem que a “palabrarma” apresentou.
Infelizmente, acho que essa cultura de violência contra as mulheres—que é uma situação mais comun do que é falada—é uma coisa mais ou menos paracida entre os Estados Unidos e o Brasil; como dizemos na aula, a violência contra mulheres não tem classe, não tem raca, e não tem nacionalidade.
Outro ponto relacionado à luta contra esses abusos do poder é a importância da inclusão das mulheres, especialmente mulheres das identidades marginalizadas, nas posições de poder do governo. Especificamente, falamos sobre o caso de Sônia Guajajara, que agora é a primeira ministra dos Povos Indígenas e vimos um vídeo de uma campanha política dela.
No vídeo, há muitas entrevistas com primas e irmãs dela que falam sobre ela e sua habilidade de ser uma líder. Isso foi interessante para mim porque acho que essa estratégia é muito semelhante à estratégia das “palabrarmas”: permitir que a audiência perceba uma verdade com uma transformação a uma coisa que a audiência já conhece. Exatamente como Vicuña dividiu a palavra “mentira” para apresentar uma nova ideia, Guajajara usou testemunhos num vídeo para uma campanha política—uma coisa comum—mas usou testemunhos dos seus parentes—que são pessoas que são raramente incluídas num vídeo para uma campanha política—para apresentar uma possibilidade de como a política pode ser.
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