“Some places are just hard to find”: Arte e comunidade queer, trans e negra

Duas semanas atrás, eu fui ao Museu de Arte Moderna da Bahia e descobri que lá, agora, tem uma exibição sobre as comunidades quilombolas. Dentro da mesma sala, estava passando um documentário americano chamado SHAKEDOWN (capturado na foto acima) que foi lançado em 2017. Criado pela artista-cineasta Leilah Weinraub, o filme reúne mais de 10 anos de imagens e entrevistas que ela gravou do clube de striptease Shakedown em Los Angeles. É um ponto de encontro da comunidade negra e lésbica nessa cidade, e através do filme, vemos as intersecções de racismo, homofobia e sexismo que se manifestam nos desafios políticos e sociais enfrentados por essas pessoas.


Além disso, o filme representa algo feito por e para mulheres negras e lésbicas. Ele valoriza essas vidas e corpos estigmatizados e problematiza questões de beleza, expressão corporal, e luta e resistência feminina e negra. Essa representação tem uma conexão forte com as nossas discussões nesta semana. Por exemplo, sobre os padrões de beleza, a sexualidade, e o que  Sueli Carneiro chamou de “enegrecendo o feminismo.” Aliás, o filme trouxe literalmente esse contexto cultural americano para o brasileiro.


Depois de assistir a uma parte do filme (20 minutos no meio, porque o filme estava passando continuamente), eu comecei a pensar em algumas experiências que tive aqui em Salvador. Sendo a cidade com a maior população negra fora de África, já notei muitas vezes essa presença cultural muito forte na cidade (e na Bahia) apesar de morar num bairro mais branco. Poderia falar sobre nossas visitas culturais, várias palestras, experiências sobre as quais eu já escrevi (por exemplo sobre a casa de Candomblé), etc. Porém, ao assistir SHAKEDOWN, eu senti falta de experiência pessoal de lugares específicos para pessoas negras e LGBTQ+s e/ou mulheres/outros gêneros marginalizados aqui. 


Contudo, o filme sublinhou que, como alguém que estava sendo entrevistada disse, “some places are just hard to find,” ou seja, esses espaços muitas vezes são sagrados e, no caso dessa comunidade em Los Angeles, são mais escondidos, onde se encontra intimidade e cuidado, conhecidos só para pessoas da comunidade. Eu pensei na minha experiência em Atlanta, onde faço parte de um grupo de pessoas queers e asiáticas, que é uma comunidade mais fechada para manter a privacidade e ser um espaço seguro para expressão livre focado no fortalecimento da nossa comunidade. 


Ao mesmo tempo, quero aprender mais sobre as vivências desses grupos em Salvador, especialmente depois da palestra ótima de Leandro Colling, que também me fez pensar no filme. Ele compartilhou muita arte produzida pelas pessoas LGBTQ+s e negras aqui. Acima de tudo, ele mostrou essa criatividade e resistência que certamente existem nas comunidades LGBTQ+s ao redor do mundo.


Comentários

  1. Mmm. Eu te ouço. Sua escrita foi muito poderosa; você combinou muitos assuntos para criar um texto profundo. As consequências do racismo, sexismo e homofobia são incorporadas na fundação da sociedade, mas é esclarecedor ver essas temas diretamente. Infelizmente, os espaços livres são raros de encontrar, mas, por causa de nossas lições e aplicações, o mundo está mudando. Lentamente mas fortemente. Nós estamos criando mais espaços livres e estou animado melhorar nossa cultura e identidade. Muito obrigado pelo seu texto. <3

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A Experiencia de Quilombo Kaonge

Benen Chancey